Avenda de veículos em geral, incluindo todos os segmentos, começou 2024 em alta. Levantamento feito pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), houve um aumento de 25% no emplacamento de veículos nos dois primeiros meses deste ano em comparação a este mesmo período no ano passado.

Representante de 7.400 concessionárias, a Federação registrou alta de 14,6% nas vendas diárias de veículos, considerando todos os segmentos. Somente no mês de fevereiro, as vendas de automóveis tiveram crescimento de 27,2% frente a fevereiro de 2023, chegando a 165,2 mil unidades emplacadas, entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. Mesmo com menos dias de venda, fevereiro também mostrou alta, de 2,2%, na comparação com janeiro deste ano.

A tendência de crescimento também se verifica no mercado do Rio Grande do Norte. De acordo com Tessy Ramos, responsável pela gestão de novos e seminovos da Nacional Veículos, da Volkswagen, localizada na avenida Prudente de Morais, zona Sul de Natal, as vendas aumentaram em 20%, tanto janeiro quanto fevereiro, no comparativo com o mesmo período do ano passado na concessionária.

A expectativa, segundo ela, é de crescimento em torno de 30% para os meses de março e abril. “Para Janeiro e fevereiro, as metas foram superadas. A montadora está vindo com boas condições. A taxa zero e as bonificações de fábrica de até 30 mil ajudaram muito a movimentar o mercado”, disse Tessy.

Ela pondera que a procura está sendo maior por carros da linha SUV, que mescla as características de um veículo de passeio e utilitário esportivo. “Nós estamos com a linha SUV, com o T-Cross hoje, que é um dos líderes de mercado. O Volkswagen avança também na liderança desse mercado. Como o Polo também é um líder de mercado, é um hatch, é o nosso carro de entrada, e é um automóvel cinco estrelas em segurança”, conta.

“Hoje, o nosso público é bem premium. A gente tem um público do T-Cross, ou do Sedan, ou já do próprio SUV para mudança, um público de classe AB. Com o Polo, já são os filhos, é aquele público já que está passando no vestibular, está na sua primeira experiência de emprego, então é um público AB hoje”, explica Tessy.

Fevereiro foi o melhor mês em vendas também para os veículos zero quilômetro no País em três anos. O setor terminou o primeiro bimestre com 326,8 mil veículos vendidos, 19,8% a mais do que nos dois primeiros meses de 2023.

Taxa de juros e impacto dos carros elétricos
Ronaldo Azevedo, empresário e proprietário da Duducar Veículos, destaca que as vendas de automóveis estão se mantendo, mas não são melhores por conta das taxas de juros, que definem a comercialização do veículo, tanto o novo, quanto o seminovo. O empresário explica que quando há uma taxação de juros convidativa, a tendência do público é buscar um carro zero, com a entrada do veículo usado, que promove um giro no mercado. Ronaldo explica que os preços dos usados ainda encontram-se em “fase de acomodação”, em queda, diante do efeito dos carros elétricos, em especial chineses, e fez com que o mercado baixasse os valores.

“Eles chegaram com um preço muito competitivo e isso trouxe assim uma revolução no mercado. Porque as montadoras que estavam, digamos, adormecidas com o seu mercado cativo, de repente se viram com um fato novo que foi a chegada dessas montadoras. Elas vieram efetivamente para fazer parte do mercado brasileiro, inclusive implantando indústrias aqui no Brasil, e vieram com preço de carro bastante competitivo”, disse.

O empresário conta que a procura pelos carros elétricos é grande, mesmo com receio das pessoas. Na maioria, o público que fez a aquisição do automóvel está satisfeito. Ele esclarece que os preços bastante competitivos impactou as outras montadoras a rever totalmente as políticas de preço.

“Muitos tiveram que reduzir os preços e outros suspenderam nos últimos seis meses os aumentos. Consequentemente, os usados também tiveram queda de preço, porque vinha uma escalada de aumento de preço, de aumento de preço, subiu novo, subiu usado, subiu novo, subiu usado, como o novo ele baixou de preço, o usado tecnicamente também tem que baixar. Então está vendo assim essa transformação no mercado, mas está nos níveis razoáveis, poderia estar melhor, poderia estar melhor essas vendas se as taxas de juros estivessem melhor”, afirma.

Segundo Ronaldo, a busca consiste em carros de até R$ 100 mil, neste valor em diante a venda torna-se mais difícil. O perfil está centrado em pessoas com estabilidade financeira, com risco baixo de ser impactado por crises econômicas, principalmente, as pessoas com uma certa segurança econômica, que buscam veículos a partir de 100 mil reais, para estar atualizado sem deixar ficar tão distante de um zero quilômetro, e também, procuram um seminovo de qualidade.

“Na aquisição do veículo é oferecido ao cliente qualquer tipo de financiamento, possibilitando ser em até 60 meses e no cartão de crédito até 21 vezes. O que define muito a taxa de juros é o score do cliente, como está o CPF dele. Se ele tem um CPF sem restrições, sem tudo, isso ajuda muito a alavancar a aprovação do financiamento e é uma redução nas taxas de juros”, detalha.

Tribuna do Norte

Neuropsicopedagoga Janaina Fernandes