Com um aporte de R$ 9,7 milhões, a startup potiguar Turinga venceu uma licitação lançada pela Petrobras para desenvolver um sistema, controlado com o uso de Inteligência Artificial (I.A), que vai monitorar a qualidade da água em torres de resfriamento de usinas termelétricas administradas pela companhia. A Petrobras possui planos para utilizar o projeto, cujo desenvolvimento deve ser concluído até junho de 2026, em todo o país. A IA está na etapa de estudos, e além de oferecer mais praticidade no processo realizado em usinas, deverá melhorar a qualidade da água em outros meios onde o líquido seja utilizado.
O monitoramento do parâmetro da água é fundamental para garantir a eficácia do processo implementado nas usinas. De acordo com o coordenador do projeto e um dos sócios proprietários da startup, Rodrigo Souza, fatores como o potencial hidrogeniônico (ph), temperatura e a turbidez da água são avaliados nesses ambientes.
Dentro do processo anterior, a estatal utilizava um técnico, que avaliava as condições da água, a cada 15 ou 30 dias, e gerava um relatório para que a inserção de produtos na água garantisse sua qualidade. Desde o início de 2023, a Petrobras abriu uma licitação e a Turinga foi escolhida para assinar o Termo de Cooperação, e se tornou responsável por produzir equipamentos de verificação, o que gerou a aceleração do processo com a entrega de dados. Estes estão presentes em seis termelétricas no Brasil.
A estatal, porém, buscava o desenvolvimento de uma inteligência que verificasse o estado da água e realizasse a manutenção. “Eles queriam colocar uma IA nestes equipamentos, que teriam a capacidade de realizar os parâmetros sem a intervenção humana. Além disso, a ideia era que o próprio equipamento notificasse o acionador (equipamento automatizado), e este despejasse o produto. Para se ter uma ideia, a Petrobras gasta alguns milhões apenas nestes produtos de inserção”, relatou.
O tratamento de água em uma usina termelétrica pode ser considerado tão importante quanto a manutenção das unidades geradoras em si. Problemas como incrustações, danos por corrosão e acúmulo de material orgânico e lama, podem causar não só perda de eficiência como sérios danos funcionais e estruturais às torres e equipamentos associados, resultando em perda de geração elétrica ou até mesmo indisponibilidade nas usinas, além de altos custos de manutenção corretiva.
Dentre os vários sistemas que utilizam esta água, destaca-se o sistema de resfriamento cuja função é manter a temperatura dos equipamentos dentro de margens aceitáveis. Portanto, a água utilizada nesse processo deve ser muito bem tratada e, por isso, necessita de um rigoroso controle para especificação dos seus parâmetros, como: ph, condutividade, turbidez, dentre outros. Nesse contexto, a implementação de um processo contínuo, inteligente e automatizado de controle dos parâmetros da água se torna fundamental.
Rodrigo Souza explica que a Petrobras lançou um novo edital de licitação para o desenvolvimento da IA, e a startup foi escolhida em setembro do ano passado. Atualmente, o equipamento criado pela empresa dele faz a aquisição dos dados em intervalos de 10 minutos. Além da IA, os próprios aparelhos de monitoração passam por melhorias, como a diminuição do tamanho e a redução dos gastos de energia. Eles utilizam a energia solar para carregar as baterias. “Ao fim do projeto, vamos aplicar técnicas de inteligência artificial. Quanto aos direitos sobre o produto, a distribuição foi de 70% para a estatal e 30% para a Turinga”, diz.
A I.A. em desenvolvimento abre possibilidade para aplicações em outros locais onde os parâmetros do líquido precisem de varreduras. Souza destacou que empreendimentos como viveiros de camarões e serviços essenciais, vide o tratamento da água para consumo, podem utilizar essa otimização.
A longo prazo, Rodrigo planeja fazer com que a tecnologia seja utilizada até mesmo em residências. “Em processos industriais, é um produto viável. A longo prazo, podemos baratear o produto para o deixá-lo á disposição das pessoas”, planeja o empresário.
O coordenador do projeto e a Petrobras possuem um histórico de cooperação anterior à licitação e, para ele, este foi um dos fatores que contribuíram para a escolha da startup neste projeto. A ideia para desenvolver um equipamento de monitoramento (ainda sem a utilização da IA) surgiu durante a dissertação de seu mestrado, desenvolvido no Laboratório de Engenharia e Computação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Após a entrega da dissertação, que tratou sobre uma arquitetura de comunicação para sistemas de supervisão da Petrobras com seus postos de petróleo, o projeto se estendeu por mais cinco anos e se tornou um sistema de supervisão. Como o trabalho de prestação do serviço não era uma responsabilidade da instituição, havia a necessidade de que uma empresa fosse criada. Então, Rodrigo se uniu a outros dois sócios, e a RN Software surgiu tornando-se, posteriormente, a atual Turinga.
O nome é o “abrasileiramento” de Turing, em homenagem a Allan Turing – considerado o pai da computação.

Tribuna do Norte

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