O basquete potiguar perdeu uma de suas grandes referências nesta segunda-feira (8), com a notícia da morte de Paulo Cunha, 88 anos, um atleta que elevou o nome do estado dentro do esporte nacional, chegando à seleção brasileira. O detentor de muitas e merecidas homenagens vinha enfrentando problemas de saúde e faleceu de problemas decorrentes de um AVC.
Cunha faz parte de um grupo de notáveis do esporte, entre os feitos estão sua rica história dentro da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), onde participou de 14 campeonatos estaduais e conquistou 13 títulos. No currículo esportivo ainda constam três campeonatos Norte-Nordeste. Em 1958 teve um ano mágico, foi o cestinha do Estadual e, defendendo a seleção do RN foi o 5º lugar no Brasileiro. Na temporada de 1961, disputou o Brasileiro, em Fortaleza, onde o RN foi 4º colocado. Nesta competição, Paulo Cunha fez 128 pontos, sendo o 2º cestinha do torneio. Com tantos números favoráveis, não demorou para chegar na Seleção Brasileira, onde venceu o Torneio Sesquicentenário do Paraguai (Assunção) e o Sul-americano de 1961 ao lado de Wlamir Marques e Amauri entre outros.
A comunidade esportiva lamentou a partida do ídolo. Haroldo Ribeiro Dantas, presidente da AABB, usou as redes sociais para se despedir do lendário atleta do clube. “Dia de tristeza, nosso mestre Paulo Cunha nos deixou, referência como atleta e pessoa humana, deixou um legado para todos que amam o esporte.
Campeoníssimo no Basket, foi seleção brasileira, conquistou como atleta o deca campeonato de basket estadual pelo seu clube de coração: AABB NATAL., foi também professor das escolinhas, transmitindo seus conhecimentos como pessoa e ex atleta.Um idolo para o clube AABB, onde recebeu diversas homenagens, inclusive o nosso reconhecimento máximo a COMENDA CARLOS SILVA. Nossos sentimentos à família e aos amigos”.
O presidente da Federação Norte-rio-grandense de Basquete, Carlos Galvão, também se despediu do amigo de décadas tanto dentro das quadras, quanto fora delas. “O Basquete do RN está mais triste, desde quando veio a notícia da doença dele que o esporte sofreu um abalo. E agora, com a sua partida, estamos em lágrimas. Mas ficam as lembranças e os exemplos de Paulo Cunha. O basquete, foi um esporte que ele jogou por último, e o esporte que eu jogo ainda hoje, não vamos falar no remador espetacular que ele foi, mas ele que começou o basquete, já com a idade avançada e, geralmente, quem começa trade no esporte, não progride muito, mas ele se tornou um dos melhores atletas do RN, e um dos poucos, do estado a serem convocados para a seleção brasileira”.
Para Galvão, o amigo foi bem além que um simples ídolo, ele foi um exemplo para todos que praticaram o basquete. Cunha era um exemplo de dedicação, além disso, mostrava um conhecimento de basquete fora do comum. “Na época em que poucos faziam alongamento para começar a jogar ou após uma partida, ele já fazia. Inclusive, alguns até faziam brincadeiras não sabendo que aquilo era o correto e hoje todos fazem o mesmo. Logo se mostrava um atleta à frente de sua época”, pelo currículo e os exemplos que deixou, Paulo Cunha será reverenciado para sempre dentro do basquete potiguar, de acordo com Carlos Galvão. “Vai ser eterno, porque realmente Paulo Cunha foi e é um exemplo, não só para o basquete, mas para o esporte, amador do Rio Grande do Norte como um todo”.
A despedida a Paulo Cunha esta ocorrendo no centro de velório da rua São José e o sepultamento está programado para esta terça-feira, às 16h, no cemitério Parque de Nova Descoberta.
Tribuna do Norte

