TikTok foi tomado por vídeos bizarros e hilários criados com inteligência artificial. As produções usam o Veo 3, modelo do Google por trás de plataformas como o Gemini e o Flow, que permite gerar filmes completos com IA, incluindo imagem, som e diálogo.

Em meio a esse universo de falhas visuais, roteiros desconexos e cenas esquisitas, o humorista baiano Will Forlan, de 28 anos, teve uma sacada: começou a imitar os vídeos feitos por IA com a ajuda da esposa, da avó e de amigos.

Will conta que a ideia surgiu no mês passado, ao testar o Veo 3. Depois de mostrar as imitações para os amigos, que caíram na risada, levou o conteúdo para o Instagram, onde tem mais de 1 milhão de seguidores.

“Eu resolvi focar no jeito robótico, nas falas padrões, nas falhas e na qualidade de imagem”, contou ele ao g1.

Um dos vídeos que mais bombaram mostra Will como um repórter de TV que pergunta a uma senhora se a cidade está cheia de buracos. Ao fundo, outra mulher se joga em um buraco na rua — e repórter e entrevistada saem correndo, rindo da situação.

A popularidade do Veo 3 pode ter relação com uma promoção do Google que oferece acesso gratuito à IA por até 15 meses para estudantes universitários no Brasil. A empresa também está concedendo um mês sem custo para todo mundo, o que ajudaria a explicar a enxurrada desses vídeos bizarros no TikTok.

Além da qualidade das cenas, o modelo se destaca pelo nível de controle criativo, permitindo definir personagens, falas, ângulos e até manter continuidade entre as cenas.

Para Cleber Zanchettin, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e estudioso de IA, a ferramenta dá ao usuário um papel semelhante ao de um diretor de cinema.

“Essa tecnologia do Google representa um avanço importante por conseguir criar vídeos hiper-realistas com áudio sincronizado — um desafio que antes exigia várias ferramentas diferentes“, diz Cleber.

g1

Neuropsicopedagoga Janaina Fernandes