O terreno onde funcionou o antigo Hotel Internacional Reis Magos (HIRM), demolido em 2020, ainda aguarda por uma definição sobre a destinação da área. Atualmente, duas empresas com interesse em realizar investimentos no local estão elaborando estudos que devem indicar a possibilidade de negócios para a região.
O Grupo Hotéis Pernambuco S/A, dono do terreno, diz que aguarda a conclusão dos estudos, ainda sem prazo previsto de acontecer, para decidir o que será feito dos 9.500 m² que compõem o espaço onde o hotel estava instalado.
Samuel Oliveira, um dos proprietários do Hotéis Pernambuco, afirma que a expectativa seria pela construção de um empreendimento imobiliário, no caso de uma das empresas que demonstrou interesse em investir no local e de um centro de atividades de esporte – caso da segunda empresa que procurou o grupo para estudar a área. “Neste último, os estudos foram iniciados há três meses. Não podemos dar detalhes dos projetos nem das empresas interessadas, justamente porque não há nada fechado”, aponta Oliveira.
João Vicente Gouveia, advogado que representa o grupo dono do terreno, diz que a definição final do que vai ser construído na área será da empresa investidora. As duas empreendedoras estão fazendo as avaliações com base no novo Plano Diretor de Natal. “Esses empreendedores vão fazer os estudos e propor negócios à Hotéis Pernambuco. Para além da construção, a proposta pode envolver a compra do terreno ou uma permuta imobiliária, por exemplo. O que é preciso é de um negócio capaz de garantir efetivamente o desenvolvimento da área”, explicou o advogado.
“A Hotéis Pernambuco entende que um empreendimento bonito e com o perfil certo vai ter um impacto de valorização da região. É interessante dar celeridade a isso, porque o terreno está parado, mas com despesas de vigilância e IPTU, o não é bom”, pontua Gouveia ao informar que o pagamento do imposto está em dia. “Meu cliente [grupo Hotéis Pernambuco] quer apostar na área, mas isso será feito por meio de terceiros, de incorporadoras que fazem o trabalho de desenvolvimento imobiliário”, acrescenta João Vicente Gouveia.
O advogado explicou que as empreendedoras interessadas no terreno são livres para fazer a elaboração dos estudos e por isso não existe previsão de prazos para a finalização do levantamento. “Essas empresas podem, inclusive, dizer que não têm interesse na área ao final dos estudos. Mas nós esperamos, obviamente, a melhor utilização possível da área, do ponto de vista da rentabilidade e da valorização daquele entorno, na Praia do Meio”, pontuou Gouveia.
A demolição do Reis Magos começou no dia 8 de janeiro de 2020, após uma série de disputas judiciais que duraram anos. O hotel estava em ruínas e em estado de degradação à época. Fechado desde 1995, o equipamento passou por três processos de tombamento e arrastou a discussão sobre o valor histórico e arquitetônico do hotel, inaugurado na década de 60 pelo então governador Aluízio Alves.
Em 2014, o Governo do Estado, por meio da Fundação José Augusto (FJA), tombou de maneira provisória o empreendimento, impedindo qualquer demolição no local. Paralelo a isso, o Instituto dos Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico-Cultural e da Cidadania (IAPHACC) entrou com processo junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) pedindo o tombamento do local, que foi negado em fevereiro de 2017.
Além disso, corria outro processo proposto pelo Estado do Rio Grande do Norte. Em maio de 2019, em grau de recurso, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) negou o tombamento judicial, mas advertiu expressamente que a decisão não significava autorização para a demolição do empreendimento, tendo em vista a tramitação de processos administrativos de tombamento nas esferas estadual e federal, e que “o tombamento provisório se equivale ao definitivo, o que impede alteração na estrutura do imóvel”.
Localizado na Praia do Meio, o Hotel Internacional Reis Magos funcionou como hotel de luxo entre 1965 e 1995, quando foi desativado. À época de sua demolição, o local estava em ruínas, deteriorado e acumulando lixo e sujeira. O complexo possuía 63 apartamentos, uma suíte presidencial, recepção, salões nobres, elevadores, parque aquático, sauna, playground, restaurante, estacionamento, entre outras áreas. O empreendimento foi adquirido pelo grupo Hotéis Pernambuco S/A em 1978, que operou o local por 10 anos, após uma grande reforma em 1979/1980. Depois, o local foi arrendado de 1989 a 1995; e de 1995 a 2002.
Em 2013, o grupo chegou a anunciar que faria a demolição do prédio para a construção de um empreendimento comercial, mas a proposta gerou desconforto e protestos por parte de estudantes de arquitetura. Na avaliação da defesa da empresa, laudos comprovavam que a estrutura do prédio não suportaria uma restauração. Hoje, manter o terreno limpo tem sido um problema para o grupo. A reportagem foi ao local na terça-feira (27) e notou bastante lixo em uma parte da área.
Samuel Oliveira, um dos proprietários do terreno, conta que um muro foi construído para proteger o terreno, mas é quebrado constantemente e a área acaba se tornando um local para acúmulo de lixo. “Sempre derrubam e voltam a jogar lixo. É uma luta constante. Agora mesmo, solicitei a uma empresa de Natal para fazer a limpeza, que custa em torno de R$ 30 mil e refazer o muro”, esclarece.
Tribuna do Norte

