Polícia Civil de São Paulo avançou nas investigações sobre a morte do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, assassinado em Praia Grande (SP) na segunda-feira, 15. Até a tarde desta quinta-feira, 18, quatro pessoas relacionadas ao caso haviam sido identificadas. A defesa dos quatro citados não foi localizada pela reportagem.

As autoridades ainda não chegaram à motivação do atentado, mas veem elo com o Primeiro Comando da Capital (PCC). São investigas duas hipóteses principais: retaliação à trajetória de Ferraz Fontes no combate à facção enquanto era delegado ou reação à atuação da vítima como secretário de Administração em Praia Grande, cargo que ocupava desde 2023.

Uma das suspeitas, uma mulher de 25 anos, foi presa após prestar depoimento ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Outros três suspeitos já têm pedido de prisão em aberto e estão foragidos.

Ferraz Fontes foi fuzilado após ser perseguido pelos criminosos após encerrar o expediente na prefeitura de Praia Grande. Ele foi alvo de tiros e teve seu veículo prensado por um ônibus em seguida. Os bandidos desembarcaram do carro portando fuzis e efetuaram diversos disparos contra o ex-delegado-geral.

Quem são as pessoas identificadas?

A polícia já identificou quatro pessoas — três homens e uma mulher — com suspeita de elo com o assassinato de Fontes. Os três suspeitos são Flavio Henrique Ferreira de Souza, Felipe Avelino de Souza (conhecido como Mascherano) e Luiz Antônio Rodrigues de Miranda.

Além disso, conforme o secretário da Segurança, Guilherme Derrite, Luiz Antônio Rodrigues de Miranda teria pedido a Dahesly Oliveira Pires, uma das quatro identificadas, que buscasse um dos fuzis em Praia Grande e retornasse para Grande São Paulo, onde foi localizada com a arma.

A mulher foi levada para prestar depoimento na quarta-feira, 17, e foi presa de forma temporária em seguida. Flavio, Felipe e Luiz já tiveram a prisão decretada pela Justiça, mas continuam foragidos.

A polícia afirma que Luiz Antônio Rodrigues de Miranda é um quarto suspeito de participar do assassinato contra Ruy Ferraz Fontes. Foto: Polícia Civil/Reprodução

Quem é Dahesly e o que ela disse em depoimento?

A jovem não deu detalhes sobre a motivação do crime e forneceu apenas informações sobre a logística da ação. Ela ficou encarregada de transportar um fuzil da Baixada Santista para a Grande São Paulo.

Segundo os investigadores, Dahesly é usuária de drogas e apresentou informações contraditórias ao longo do depoimento. Ela já respondia a um processo por tráfico de drogas e era considerada foragida desde 2023.

suspeita de envolvimento na morte do ex-delega. Dahesly Oliveira Pires Foto: Policia Civil SP

O PCC está envolvido?

Sim, conforme o secretário da Segurança. Derrite afirmou que “não há dúvidas” do envolvimento do Primeiro Comando da Capital no crime. “O crime organizado participou da execução.”

Uma das justificativas dadas pelo chefe da pasta é a participação de Mascherano, faccionado que exerce a função de “disciplina” na região do ABC Paulista, segundo o setor de inteligência da polícia.

Qual a motivação do crime?

Embora a polícia confirme a participação do PCC, as investigações ainda não chegaram à motivação do assassinato. Os investigadores trabalham com duas principais hipóteses.

A primeira é de vingança por parte da facção contra o ex-delegado-geral, que tinha um histórico de combate ao grupo criminoso. Fontes foi o responsável por indiciar Marcola e outros líderes do PCC no início dos anos 2000 e estava jurado de morte, conforme o promotor Lincoln Gakiya, membro doGrupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco) do Ministério Público.

A segunda hipótese estaria relacionada à atuação de Fontes como secretário de Administração na prefeitura de Praia Grande. A suspeita é de que o ex-delegado tenha interferido em contratos de licitação que prejudicaram alguma entidade ligada a criminosos.

Estadão

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