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Dólar acelera ritmo de alta no mercado e bate R$ 5,65

O dólar acelerou o ritmo de alta no mercado doméstico de câmbio nesta segunda-feira (01), e tocou o nível de R$ 5,65, uma alta de 1,16%. O movimento coincide com uma aceleração dos ganhos da moeda americana no exterior e com novas máximas dos retornos dos treasuries (títulos de dívidas emitidos pelo governo norte-americano) de 10 e 30 anos, o que castiga em especial as divisas emergentes. Tal quadro leva também a uma aceleração da alta das taxas dos juros futuros curtos.

A moeda brasileira não apenas terminou o dia com perdas bem maiores que a de seus pares latino-americanos, como os peso chileno e mexicano, como apresentou o pior desempenho entre as principais divisa globais. Apenas o rand sul-africano e o rublo russo tiveram também queda maior que 1% em relação ao dólar.

Embora os analistas não tenham notado um fato novo no quadro local que leve à alta do dólar, eles afirmam que a busca por posições defensivas e hedge cambial (proteção contra variações cambiais) tem como pano de fundo o desconforto com o panorama fiscal diante da resistência do governo Lula em cortar gastos.

Há temores de ingerência política no Banco Central a partir de 2025, quando o atual presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, será substituído por nome indicado pelo presidente Lula, crítico da gestão da política monetária. Pela manha, Lula afirmou que “quem quer o Banco Central autônomo é o mercado”.

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou também nesta segunda que o governo promete coibir fraudes e passar um pente-fino nas despesas, reiterando o compromisso com o arcabouço fiscal. “Vamos reafirmar compromisso com o arcabouço fiscal no envio da PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) em agosto”, disse. “Quem fica especulando sobre irresponsabilidade fiscal do governo vai errar de novo.”

O dólar futuro para agosto avançou 0,88%, a R$ 5,6705. O Ibovespa fechou em alta de 0,65%, aos 124.718,07 pontos.

Ibovespa
A recuperação parcial do Ibovespa seguiu adiante neste começo de mês e de semana, a despeito da contínua pressão sobre o câmbio e na curva de juros domésticos, em meio à persistência de incertezas sobre a condução fiscal e ao fogo aberto pelo presidente Lula contra o Banco Central e o sistema financeiro, ainda em modo ativo nesta segunda-feira.

Nesta segunda-feira, o índice da B3 oscilou dos 123.735,19 aos 125.219,91 pontos, máxima intradia desde 28 de maio, saindo de abertura aos 123.904,75. No fechamento, mostrava alta de 0,65%, aos 124.718 07 pontos, com giro a R$ 20,6 bilhões na sessão, em que atingiu o maior nível de encerramento desde 23 de maio (124.729,40). Na mínima de fechamento no ano, em 17 de junho, aos 119.137,86 pontos, o Ibovespa acumulava perda de 11,21% em 2024 – agora, reduzida a 7,06%.

Nas últimas 10 sessões – desde o último dia 18, quando iniciou recuperação -, o Ibovespa registrou perda em apenas duas, incluindo a de sexta-feira, quando cedeu 0,32% – o outro revés no intervalo também foi discreto (-0,25%), no dia 25. O avanço desta segunda-feira foi sustentado pelos carros-chefes das commodities e da B3, Petrobras (ON +1,21%, PN +1,52%) e Vale (ON +1,48%), o que compensou o mau desempenho do setor financeiro, com os grandes bancos mostrando perda de até 1,31% (BB ON) no fechamento. A ação da B3, por sua vez, subiu 2,25%.

Na ponta do Ibovespa nesta segunda-feira, SLC Agrícola (+7,22%), CSN Mineração (+5,01%) e Equatorial (+4,37%). No lado oposto, Assaí (-3,29%), Pão de Açúcar (-2,96%) e Vibra (-2,70%).

“O mercado ainda mostra preocupação com as recentes falas do presidente Lula a respeito da presidência do BC e dos juros elevados. Com o fiscal em risco, há saída de dólar do País”, resume Daniel Teles, especialista da Valor Investimentos. Dessa forma, a recuperação puxada na sessão pelos preços do petróleo, em alta de cerca de 2%, contribuiu para que Petrobras avançasse em dia mais uma vez desfavorável às ações com sensibilidade a juros e exposição ao ciclo doméstico, como as de construtoras (MRV -1,65%, Cyrela -1,27%).

Tribuna do Norte

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