O agronegócio brasileiro foi o grande destaque no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) anual do Brasil, em 2023. Com uma supersafra de grãos, a agropecuária registrou uma alta recorde de 15,1% no ano. A produção recorde de soja e milho impulsionou esse desempenho, tornando-o um recorde desde 1996. Além disso, o setor agropecuário beneficiou outros segmentos, como as exportações (9,1%), a indústria de alimentos e setores específicos dos serviços, que se beneficiam da cadeia de produção e logística do campo.
“O setor do agronegócio registrou um crescimento inédito de 15,1% de 2022 para 2023, enquanto o crescimento dos demais setores, foi bem inferior, como o de serviços (2,4%) e da indústria (1,6%). Os dados que acompanharam essa divulgação informam que além da agropecuária, as indústrias extrativas também tiveram um desempenho positivo, com alta de 8,7% (devido ao aumento da extração de petróleo, gás natural e minério de ferro)”, analisa o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Norte (Faern), José Álvares Vieira.
O PIB cresceu 2,9% em 2023, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é muito próximo ao crescimento de 3% observado em 2022. O PIB, que é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, totalizou R$ 10,9 trilhões em termos nominais. Por outro lado, os números do IBGE também destacaram um recuo de 3% nos investimentos no País, o que pode representar desaceleração no crescimento, dizem especialistas.
Segundo os dados, também houve crescimento na produção e no consumo de eletricidade, dadas as condições hídricas favoráveis e o aumento da temperatura média, impulsionando o consumo de energia. “Os dados indicam um avanço do consumo das famílias (de 3,1% em relação a 2022) que também contribuiu para o crescimento do PIB. Esse aumento foi influenciado pela melhora das condições do mercado de trabalho, aumento da ocupação e da massa salarial real, além da redução da inflação. Os programas de transferência de renda também têm uma parcela de contribuição para elevar o consumo das famílias, especialmente em alimentos e produtos essenciais não duráveis”, comenta José Vieira.
O economista Janduir Nóbrega destaca o impacto do agronegócio para puxar o PIB para cima. “O agro tem apresentado uma produção acima do normal nas safras de milho, soja e arroz, por exemplo, participou com um montante muito positivo, acima de 10% na composição desses indicadores do PIB, o que nos permite dizer que isso vai continuar nesse ano. A gente saiu de uma projeção de crescimento de 1,5% para 1,65%, um ritmo muito forte em virtude do agronegócio”, explica.
Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, explica que o resultado recorde da agropecuária, superando a queda apresentada em 2022, teve influência do crescimento da produção e do ganho de produtividade da agricultura. “Esse comportamento foi puxado muito pelo crescimento de soja e milho, duas das mais importantes lavouras do Brasil, que tiveram produções recorde registradas pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA)”, diz.
Outra influência positiva no resultado do PIB de 2023 foi o desempenho das indústrias extrativas. A atividade teve alta de 8,7% devido ao aumento da extração de petróleo e gás natural e de minério de ferro. Destaque também para eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos, com alta de 6,5%. “Houve condições hídricas favoráveis e a bandeira verde vigorou durante todo o ano de 2023. Além disso, o fenômeno climático El Niño aumentou a temperatura média, impactando o consumo de água e energia”, justifica a pesquisadora. As Indústrias de Transformação (-1,3%) e a Construção (-0,5%) fecharam o ano com queda.
Tribuna do Norte

