O Rio Grande do Norte recebeu um alerta sobre a possível chegada de uma nova doença com manchas na pele e sintomas incomuns, segundo a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap). A informação foi divulgada pelo secretário Alexandre Motta na última sexta-feira (19), após um infectologista identificar casos de manchas vermelhas na pele acompanhadas de coceira intensa, mas sem febre. Esses sintomas diferem dos sinais habituais de doenças como sarampo, rubéola, catapora ou mononucleose, que fazem parte do mesmo grupo de enfermidades.
Doenças que causam erupções na pele são comuns em crianças e incluem infecções virais como sarampo e rubéola. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Alexandre Motta destaca que a rápida identificação de casos pode ser crucial para impedir a disseminação da doença e adotar medidas preventivas. “Qualquer pessoa que apresentar esses sinais deve procurar um médico e solicitar a notificação do caso. Isso é fundamental para que possamos investigar a situação de maneira adequada”, afirma.
O objetivo é determinar se a nova doença é uma variação de um vírus já conhecido ou se se trata de um novo agente que pode exigir uma abordagem diferente. A confirmação laboratorial, conforme o secretário, é essencial para definir as ações necessárias à proteção da população. Uma nota técnica foi publicada pela pasta na tarde desta quarta-feira (19), orientando os médicos a notificarem casos com essas características por meio da plataforma Notifica RN.
Para Gisele Borba, médica infectologista do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol/UFRN/Ebserh), o diagnóstico definitivo da doença ainda é incerto. “O quadro clínico de erupções na pele e coceira sem febre pode ser confundido com doenças como dengue, zika, chikungunya ou até mononucleose, que também apresentam sintomas semelhantes. Contudo, o diagnóstico final só pode ser feito com exames laboratoriais, o que é fundamental para diferenciá-las. Agora temos a nota técnica explicando quais exames devem ser solicitados”, destaca.
De acordo com a especialista, com a recente introdução de testes como o RT-PCR para arboviroses, é possível distinguir doenças transmitidas por vetores, como dengue, zika e chikungunya, desde que o exame seja realizado até o quinto dia de sintomas. Ela reforçou que, embora o sarampo tenha sido erradicado no Brasil em anos recentes, há surtos em outras regiões do mundo, como Europa e Estados Unidos, o que torna a vigilância ainda mais importante.
“Sem saber como essa doença se espalha, não podemos definir as medidas para contê-la”, explica a infectologista. Por isso, o mais importante agora é que as pessoas fiquem atentas aos sintomas e busquem um médico caso eles apareçam.
Embora os casos ainda sejam isolados, o alerta foi acionado para que os profissionais de saúde estejam atentos a sinais incomuns na pele. A notificação precoce permite a coleta de dados sobre a distribuição da doença por faixa etária, localização geográfica e outras características que podem fornecer pistas sobre sua transmissão e evolução.
A Sesap está orientando que os profissionais de saúde façam exames como coleta de sangue, urina, fezes e amostras da garganta e das lesões na pele para investigar a doença e encaminhem as amostras ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen). “A resposta laboratorial será essencial para compreendermos a origem dessa doença e definirmos quais medidas sanitárias serão necessárias”, avalia o secretário. Qualquer pessoa com sintomas como manchas vermelhas na pele e coceira intensa, mesmo sem febre, deve procurar um médico rapidamente.
Tribuna do Norte