Os golpes virtuais estão cada vez mais sofisticados e fazem novas vítimas todos os dias. Criminosos se aproveitam da confiança e da vulnerabilidade das pessoas para enganá-las em diferentes contextos, seja em aplicativos de namoro, falsas ofertas de emprego ou até mesmo no ambiente corporativo. Nesta matéria que compõe uma série de reportagens do Projeto Comprova sobre golpes virtuais, conheça a abordagem e como se defender do golpe do relacionamento, do falso emprego e o que os bandidos aplicam em trabalhadores de plantão.

Golpe do falso emprego

  • Como os golpistas abordam as pessoas: se apresentando como representantes de empresas e fazendo ofertas de emprego por e-mail, WhatsApp ou por anúncios na internet. Também é comum que abordem a vítima afirmando que ela foi selecionada para uma vaga de emprego sem que ela tenha se inscrito.
  • Que táticas eles usam para chamar a atenção: as propostas contam com promessas financeiras elevadas, com poucas horas de trabalho e muitos benefícios.
  • Qual é o objetivo do golpe: tirar dinheiro das vítimas, já que, para iniciar o emprego, o golpista diz ser necessário fazer um depósito ou pagar por um exame ou ferramenta de trabalho, ou roubar dados sensíveis.
  • Como se proteger: o Serasa alerta que as pessoas desconfiem de ofertas muito tentadoras, com salários e benefícios acima da média, e estejam atentas a alguns detalhes importantes: documentos, por exemplo, costumam ser pedidos após a conclusão do processo seletivo, e não antes ou durante. Também não é comum exigir a realização de cursos preparatórios durante o recrutamento, e exames e testes admissionais são pagos pela empresa, e não pelo funcionário.
  • A quem denunciar: é importante registrar um Boletim de Ocorrência e, também, denunciar o caso à empresa que, em tese, está oferecendo o emprego. A denúncia deve ser feita pelos canais oficiais da empresa, e não pelo telefone informado no contato pelo golpista.

Golpe do relacionamento (catfishing)

Foto: Projeto Comprova
  • Como os golpistas abordam as pessoas: em aplicativos de namoro, criminosos se passam por pessoas atraentes.
    Que táticas eles usam para chamar a atenção: eles tentam ganhar a confiança da vítima através de suas imagens e depois passam a pedir dinheiro.
  • Qual é o objetivo do golpe: obter dinheiro ou chantagear a vítima. De acordo com Paulo Trindade, esse é um golpe muito comum e que dificilmente ocorre no ambiente de outras redes sociais, que não sejam as redes de namoro.
  • Como se proteger: Para o especialista, é importante que a pessoa nunca faça uma transferência em dinheiro. “Eu compreendo que às vezes a pessoa está emocionalmente abalada e tem medo de perder aquela pessoa se ela não fizer o Pix, a transferência. Mas, em suma, é golpe. Ninguém que está genuinamente interessado vai querer você só se você fizer uma transferência. Se a pessoa está dependendo disso, é porque talvez ela não seja o par”, alerta.
  • A quem denunciar: à Polícia Civil. Muitas vezes, a vítima se sente constrangida e tem vergonha de admitir que foi vítima do golpe, mas denunciar casos de catfishing ajuda a identificar criminosos que podem estar aplicando o mesmo golpe em outras pessoas. Como em outros casos, explica Paulo Trindade, aquele que aplica o golpe do relacionamento comete um crime. A depender da situação, ele pode se enquadrar nos crimes de estelionato, falsidade ideológica, extorsão, ameaça entre outros.

Golpe do plantão

Foto: Projeto Comprova
  • Como os golpistas abordam as pessoas: entram em contato com funcionários plantonistas de emprego por telefone ou WhatsApp durante o horário do plantão.
  • Que táticas eles usam para chamar a atenção: os golpistas monitoram o funcionamento da empresa e costumam contatar o funcionário no horário de plantão, quando sabem que, em geral, não há outras pessoas para prestar apoio em uma tomada de decisão. Assim, eles se passam pelo chefe do funcionário e solicitam informações.
  • Qual é o objetivo do golpe: a vítima, nesses casos, não é o funcionário, e sim a empresa – o que o golpista deseja é obter senhas e invadir o sistema da empresa onde aquela pessoa trabalha.
  • Como se proteger: de acordo com Paulo Trindade, é preciso ficar atento ao tipo de informações que o funcionário acaba tornando públicas e que, mais tarde, podem servir para o golpista, como fotos dentro da empresa, utilizando o crachá, ao lado de colegas e do próprio chefe. O golpista pode cruzar esses dados com informações do LinkedIn e, em um horário de plantão, se passar pelo chefe da pessoa.
  • A quem denunciar: casos assim devem ser denunciados à Polícia Civil, à rede social por onde eventualmente houve o contato e à própria empresa, que também deve denunciar o caso às autoridades policiais.

Fontes que consultamos: Para esta checagem que inclui outras três matérias, o Comprova conversou com o especialista em segurança digital Paulo Trindade, Onsite Security Services Manager da ISH Tecnologia, utilizou dados do Banco Central e também consultou sites da Febraban, Banco Itaú, Idec, Correios e Serasa.

Desconfiou que é golpe? O Comprova pode ajudar a verificar: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, eleições e possíveis golpes digitais e abre verificações para os conteúdos duvidosos que mais viralizam. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: Parceiro do Comprova, o Estadão Verifica publicou uma matéria mostrando como criminosos usam inteligência artificial para manipular vídeos de pequenos influenciadores e aplicar golpes nas redes sociais; o UOL Confere mostrou ser falsa a mensagem que falava sobre um sorteio conjunto para prêmios da Claro e da Vivo; a AFP Checamos mostrou que era falso um site que prometia consultar valores a receber usando uma cópia do portal do governo. A Agência Lupa criou um site que mapeia golpes digitais e orienta vítimas de fraudes.

*Este conteúdo foi investigado por Alma Preta e Estadão. A publicação contou com verificação da Folha de S. Paulo, Tribuna do Norte, O Popular e Agência Tatu.

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