Caças de Israel e dos Estados Unidos bombardearam o centro de Teerã nesta terça-feira 3, enquanto o Irã intensificou ataques contra instalações petrolíferas e alvos americanos no Golfo. No quarto dia de confrontos diretos, a guerra no Oriente Médio se amplia sem sinais imediatos de trégua e já provoca impactos na segurança regional e nos mercados globais de energia.

Segundo o Crescente Vermelho iraniano, mais de 780 pessoas morreram no país desde o início da ofensiva, desencadeada no sábado por bombardeios conjuntos de Israel e Estados Unidos contra alvos estratégicos iranianos. O balanço não pôde ser verificado de forma independente. Em Teerã, moradores relatam ruas desertas e clima de medo. “Sinto medo de andar pelas ruas vazias”, disse Samireh, enfermeira de 33 anos que permaneceu na cidade para trabalhar.

De acordo com a agência iraniana Tasnim, caças israelenses e americanos atingiram o edifício da instituição responsável por escolher o sucessor do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra. Explosões também foram registradas nos setores leste e sudeste da capital. Israel afirmou ter realizado ataques contra a sede da Presidência iraniana, gabinetes do Conselho Supremo de Segurança Nacional e instalações de produção de mísseis balísticos em diferentes pontos do país. Horas antes, Tel-Aviv declarou ter “desmantelado” a sede da rádio e televisão pública iraniana, embora a emissora sustente que continua transmitindo.

A escalada militar ocorre em paralelo a retaliações iranianas contra interesses ocidentais na região. A Guarda Revolucionária reivindicou ataques a uma base aérea americana no Bahrein e a centros de dados da Amazon no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos. Drones também atingiram a embaixada americana na Arábia Saudita, provocando incêndio e o fechamento da representação diplomática. O Catar informou ter interceptado tentativas de ataque contra o aeroporto internacional de Hamad.

O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira 3, que a possibilidade de negociação com Teerã está encerrada. “Eles querem conversar. Eu disse: ‘Tarde demais!’”, escreveu na rede Truth Social. Washington também anunciou a morte de seis militares desde o início da ofensiva e recomendou que cidadãos americanos deixem o Oriente Médio — do Egito em direção ao leste — por razões de segurança, medida que abrange 14 países.

O conflito também se estende ao Líbano, onde Israel intensificou ataques contra o Hezbollah, aliado do Irã. O Exército israelense iniciou uma incursão terrestre no sul do país, segundo fontes militares libanesas. A ONU estima que pelo menos 30 mil pessoas tenham sido deslocadas na região. O grupo xiita afirmou ter atacado três bases militares israelenses em resposta.

Israel sustenta que a ofensiva tem como objetivo impedir que o Irã desenvolva armas nucleares e neutralizar sua capacidade balística. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Teerã vinha construindo novas instalações subterrâneas capazes de proteger programas de mísseis e eventuais projetos nucleares. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, contestou a justificativa e afirmou que “nunca houve uma suposta ameaça iraniana”.

A escalada militar preocupa governos e mercados. A agência da União Europeia para o asilo alertou para o risco de um fluxo de refugiados “de magnitude sem precedentes” caso o conflito se prolongue. No plano econômico, os combates atingem uma das regiões mais importantes para a produção global de hidrocarbonetos. Instalações petrolíferas em Omã e nos Emirados Árabes Unidos foram atacadas por drones, enquanto o Catar suspendeu parte de sua produção industrial após interromper operações de gás natural liquefeito.

A tensão já se reflete no mercado internacional, com forte volatilidade no preço do petróleo e do gás. Ainda assim, analistas avaliam que o impacto permanece inferior ao observado durante a pandemia de covid-19 ou após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Mesmo assim, a paralisação parcial do estreito de Ormuz — rota estratégica para o comércio mundial de energia — mantém investidores em alerta diante do risco de uma crise.

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