
A barragem de Oiticica, em Jucurutu, está tendo sua primeira cheia após a finalização de sua construção. O manancial é o segundo maior reservatório de todo o Rio Grande do Norte, e a sangria está cada vez mais próxima. O reservatório está com 64,71% de sua capacidade total, sendo o que mais avançou proporcionalmente entre os mananciais da região do Seridó, já representando 88% da água acumulada na região. A informação é do Instituto de Gestão de Águas do Rio Grande do Norte (Igarn).
De acordo com o órgão, o reservatório saiu de 12,89% em abril de 2025 para mais de 64% no mesmo período deste ano, um crescimento de 52 pontos percentuais. O nível da água vem subindo dia após dia, e a expectativa para a sangria só cresce. A água já alcança as ruínas da capela da antiga comunidade Barra de Sant’Ana, inundada para a construção do reservatório.
A cheia ocorre por uma soma de fatores. Além de chuvas significativas no local e em reservatórios que levam água para o açude, o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) leva água ao local desde janeiro, contribuindo para o cenário atual, com Oiticica representando 88% do total das águas acumuladas em todos os mananciais do Seridó, com 480.536.922 m³, segundo dados do dia 22 de abril.
O Igarn acompanha a situação e o panorama, chamando atenção para a concentração da água em Oiticica e como sua distribuição através da Adutora Seridó será importante para moradores de cidades com índices preocupantes. A conclusão da adutora está prevista para o segundo semestre, no mês de setembro.
“A situação do Seridó é complexa. Há irregularidade nos índices de chuvas e no volume dos reservatórios. O desempenho de Oiticica apresenta uma concentração da água, e a conclusão da Adutora Seridó deve levar água para Acari, Cruzeta, São Vicente e Florânia em setembro, segundo a previsão. A água traz um alento para a região, e estamos acompanhando o desempenho geral, que é considerado razoável”, afirma Procópio Lucena, diretor-presidente do Igarn.
Atualmente, a Adutora Seridó já leva água para Caicó, São Fernando, Jardim de Piranhas e Timbaúba dos Batistas. Além de Oiticica, outros cinco reservatórios estão com níveis maiores do que no ano passado. O maior deles é o Açude Carnaúba, com 40% a mais de água do que no ano anterior. Em contrapartida, sete mananciais possuem níveis piores do que no ano passado, com destaque negativo para o Açude Cruzeta, com 42% a menos de água do que no ano anterior.
Números
480,5 mi
de metros cúbicos é o volume de água em Oiticica atualmente
52 pp
foi o aumento do volume de água na Barragem de Oiticica em 1 ano
Duas cidades deixaram o colapso no abastecimento, aponta a Caern
As chuvas caídas na região significaram
alento para a população de Ouro Branco e São João do Sabugi, que deixaram o colapso no abastecimento de água com que conviviam desde dezembro do ano passado.
Apesar disso, o momento ainda é de atenção para a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). A estatal fala sobre a irregularidade nas chuvas na região, o que não significa uso irresponsável. “A continuidade das chuvas pode melhorar esse cenário. Por esse motivo, a Caern reforça a importância de a população potiguar continue usando a água de forma consciente, já que a situação dos mananciais ainda exige cuidado”, afirmou, em nota, a Companhia.
Cidades como São José do Seridó, Parelhas, Jardim do Seridó, Carnaúba dos Dantas e Equador estão em situação de atenção, segundo a companhia. Isso ocorre porque o volume de água acumulado nos reservatórios e a recarga subterrânea ainda não é ideal.
Tribuna do Norte
