O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, investigado por perseguir, intimidar e ameaçar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, encontrada morta no apartamento onde morava, no centro de São Paulo, afirmou que não teve qualquer participação na morte da policial.
Segundo o Coronel Geraldo Neto, ele, “não é o assassino” e garante ter a consciência tranquila. “Tenho a consciência tranquila, com Deus, com a Gisele, que eu nunca levantei a mão para ela, nunca a agredi. Em hipótese alguma teria atentado contra a vida dela”, declarou.
As declarações foram feitas nesta segunda-feira (16/3) durante entrevista concedida ao programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes. Na ocasião, o tenente-coronel afirmou ser testemunha do que classificou como um suicídio, a morte de Gisele. Ao se defender das suspeitas, ele voltou a afirmar que jamais agrediu a companheira e reiterou que não teria qualquer motivo para atentar contra a vida da policial.
“Muita conversa com a minha esposa”
Mensagens obtidas pela família da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, indicam um clima de tensão na relação com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Em uma das conversas, o oficial da Polícia Militar se apresenta a um primo da soldado e afirma ter acesso direto às redes sociais da esposa. “Eu sou marido da Gisele. Eu tenho acesso às redes sociais dela e ela às minhas. Eu que printei as conversas suas com ela”, escreveu. Em seguida, demonstra incômodo com o contato entre os dois: “Acho que você está com muita conversa com a minha esposa”.
Ainda na troca de mensagens, o primo responde que conhece Gisele desde a infância e nega qualquer envolvimento além da relação familiar. “Conheço a Gisele desde os 7 ou 8 anos e nunca olhei com segundas intenções”, afirmou. Ele acrescenta que as conversas não tinham “nada demais além de uma conversa de primos” e chega a sugerir um encontro para esclarecer a situação e afastar desconfianças.
Abuso de autoridade
Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) reconheceu que condutas atribuídas ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que na época atuava como major e comandante do 29º Batalhão da Polícia Militar (29º BPM/M), configuraram abuso de autoridade contra uma policial militar subordinada. O caso ocorreu em 2022 e está relacionado a um episódio de perseguição profissional dentro da unidade.
De acordo com a decisão judicial, a policial afirmou ter sido alvo de medidas consideradas abusivas por parte do então comandante. Após análise das provas reunidas no processo, a Justiça concluiu que houve abuso de autoridade e determinou a condenação do Estado de São Paulo ao pagamento de indenização por danos morais à policial, no valor de R$ 5 mil. A decisão estabelece que o montante seja corrigido e acrescido de juros pela taxa Selic a partir da sentença, destacando ainda o caráter “didático-pedagógico” da medida, com o objetivo de coibir novas condutas semelhantes.
Entre os episódios analisados no processo está a movimentação de quatro policiais militares femininas durante uma preleção administrativa. Segundo os autos, a mudança teria sido adotada como forma de punição após um conflito interno dentro do batalhão. O episódio acabou se tornando um dos pontos centrais da ação e voltou a chamar atenção para o histórico de conflitos envolvendo o oficial dentro da corporação.
Metrópoles

