A escalada do conflito no Oriente Médio e os riscos à circulação de petróleo no Estreito de Ormuz já começam a pressionar o preço dos combustíveis no Rio Grande do Norte. Em entrevista à Jovem Pan News Natal (93,5 FM), o presidente do Sindipostos RN, Maxwell Flor, afirmou que a instabilidade geopolítica eleva custos de frete, seguro e reposição, refletindo rapidamente no valor cobrado nas bombas.

Segundo ele, a tensão internacional ganhou força após ataques dos Estados Unidos contra o Irã, o que aumentou o risco de interrupção no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 20% da produção mundial da commodity. “Quando há risco nessa região, o petróleo sobe porque diminui a oferta no mercado global. Além disso, o seguro e o frete dos navios ficam mais caros, criando um efeito em cadeia que chega ao consumidor”, afirmou Flor.

O impacto tende a ser mais imediato no Rio Grande do Norte devido ao modelo de abastecimento regional. Desde a privatização da Refinaria Clara Camarão, parte relevante da gasolina e do diesel vendidos no Estado é importada ou adquirida com base no preço internacional do petróleo. “A refinaria produz querosene de aviação, mas gasolina e diesel são importados. Quando o preço internacional sobe, o reflexo aqui acaba sendo muito mais rápido”, explicou.

Nos últimos dias, a refinaria anunciou sucessivos reajustes. De acordo com o presidente do Sindipostos, houve aumento recente de cerca de 7 centavos na gasolina no fim do mês passado, seguido por mais 30 centavos na semana passada e um novo reajuste de 30 centavos na gasolina e cerca de R$ 1 no diesel anunciado para esta semana. Com isso, os preços nas bombas em Natal já passam de R$ 7 por litro da gasolina, podendo subir ainda mais dependendo do repasse das distribuidoras.

Flor ressaltou que os postos não compram combustível diretamente das refinarias, mas sim das distribuidoras, que formam seus preços a partir de diferentes fontes de suprimento, incluindo importações e fornecimento da Petrobras. Segundo ele, a margem de atuação do revendedor é limitada. “O posto está no final da cadeia. Primeiro vem a refinaria, depois a distribuidora. O revendedor apenas repassa o preço que recebe”, afirmou.

Para os consumidores, o cenário ainda é incerto. O dirigente avalia que a evolução da guerra e das cotações internacionais do petróleo será determinante para os preços nas próximas semanas. “Hoje a orientação é acompanhar o mercado e tentar se planejar, porque o cenário ainda é de instabilidade. Se o conflito se prolongar, o impacto pode chegar não só aos combustíveis, mas também ao custo do transporte e da inflação em geral”, disse.

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