Venezuela denunciou nesta quinta-feira, 2, que cinco caças americanos se aproximaram das costas do país, em meio à crise pelo desdobramento militar que Washington realizou no Caribe para operações contra o tráfico de drogas.

Em declarações na televisão estatal, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, disse que o sistema de defesa aéreo venezuelano “detectou mais de cinco vetores”, que definiu como “aviões de combate”.

Os Estados Unidos mobilizaram há quase um mês 10 aviões F-35 para Porto Rico, como parte da manobra contra o narcotráfico, que também incluem o envio de oito navios de guerra.

O ditador Nicolás Maduro qualificou a mobilização como cerco e ameaça. “O imperialismo norte-americano ousou se aproximar das costas venezuelanas”, disse Padrino. “Estamos vendo eles. Não nos intimida a presença desses vetores”, acrescentou.

“Denuncio diante do mundo essa situação que não deixa de ser uma provocação, mas também uma ameaça à nossa segurança nacional”, afirmou. O ministro não detalhou a localização dos caças americanos, mas indicou que pilotos de companhias aéreas comerciais os avistaram.

Quatro lanchas de supostos narcotraficantes já foram destruídas por ataques americanos nas últimas semanas.

Caracas acredita que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está utilizando o narcotráfico como falso pretexto para derrubar Maduro e se apoderar das maiores reservas de petróleo do mundo.

Maduro respondeu com a convocação de milícias e exercícios militares. Ele mobilizou navios de guerra, helicópteros, aviões de caça e de transporte e veículos anfíbios com 2.500 efetivos. Também realizou simulações para emergências e jornadas de treinamento para os alistados na Milícia Bolivariana, um corpo militar composto por civis.

O ditador venezuelano afirmou ainda que tem pronto um decreto para declarar um estado de exceção, uma medida excepcional para conflitos armados que amplia seus poderes. Seu alcance não está claro. Nunca foi aplicado antes e poderia levar à suspensão de certas garantias constitucionais.

Maduro adiantou também por decreto o início do Natal para 1º de outubro para defender “o direito à felicidade”. Ele fez o mesmo em 2024 após protestos pós-eleitorais que deixaram 28 mortos e 2.400 detidos.

O regime decorou prédios públicos com luzes e celebrou o início da temporada com fogos de artifício, como na sede do serviço de inteligência, o Helicoide, onde há “presos políticos”.

O ministro da Defesa Padrino também apresentou um balanço de operações contra o narcotráfico e anunciou a destruição de acampamentos pertencentes às guerrilhas colombianas do ELN e dissidências das Farc. “Estamos dispostos a defender nossa soberania, nosso espaço geográfico, diante de qualquer intruso”, afirmou o ministro.

“Quem estiver operando por ali, narcotraficantes, saia do território venezuelano, vá delinquir em outro lugar”, alertou./ AFP

Estadão
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