Uma aeronave da Força Aérea dos Estados Unidos chegou ao Brasil na tarde de terça-feira (19). O avião militar, um Boeing 757-200, pousou no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e, à noite, chegou ao Aeroporto de Guarulhos.

A presença da aeronave no Brasil chamou a atenção porque, inicialmente, não havia informações oficiais sobre o motivo ou quem são os passageiros. O avião é normalmente usado em operações especiais e também pela CIA (Agência Central de Inteligência).

Procurada, a assessoria de imprensa da embaixada americana disse que a aeronave ofereceu apoio logístico à Missão Diplomática dos Estados Unidos no Brasil e sua chegada foi autorizada pelas autoridades brasileiras competentes.

A Polícia Federal e o Ministério da Defesa viram como uma operação normal a passagem do avião pelo Brasil.

O avião militar, um Boeing 757-200, pousou no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e, à noite, chegou ao Aeroporto de Guarulhos. Segundo a PF, ela fez os procedimentos migratórios de praxe.

Segundo informações colhidas pela reportagem, o Ministério da Defesa também não identificou nada de anormal na viagem da aeronave americana. A FAB (Força Aérea Brasileira) não respondeu.

Na missão atual, que começou em 18 de agosto, a aeronave partiu da Base Aérea de McGuire, em Nova Jérsei, fez escala em Tampa (Flórida), seguiu para San Juan (Porto Rico) e pousou em Porto Alegre por volta das 17h13 de terça.

O avião chegou a Guarulhos às 21h45, seguindo para o pátio do Terminal 3, de uso exclusivo em voos internacionais. A aeronave permanecia no Aeroporto de Guarulhos até o início da tarde desta quarta-feira (20).

O jato, matrícula 00-9001, não exibe o registro em sua fuselagem, que é totalmente branca. O Boeing 757-200 foi modificado e designado C-32B. Diferente do C-32A, usado como transporte oficial da Casa Branca junto ao VC-25A (747-200 conhecido como Air Force One), o C-32B está vinculado ao 150º USAF (Esquadrão de Operações Especiais da Força Aérea Americana), com base em Nova Jérsei.

Os EUA e o Brasil passam por uma crise político-econômica. O presidente americano Donald Trump acusou o governo Lula e o STF (Supremo Tribunal Federal) de promoverem uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente e seu aliado Jair Bolsonaro (PL), réu no processo da trama golpista.

Seu governo ainda impôs sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, além de ter cassado vistos do magistrado e de outros integrantes da corte e também de funcionários que trabalharam no programa Mais Médicos.

No front econômico, Trump aplicou uma sobretaxa de 50% sobre uma gama de produtos brasileiros. Os canais de diálogo com as principais autoridades de Washington estão bloqueados, segundo disseram Lula e seus ministros.

O governo brasileiro tem afirmado que não vai ceder nos pontos considerados políticos da medida e tenta levar as conversas para a seara comercial.

O C-32B é apelidado de Gatekeeper, porteiro em inglês. O nome refere-se à função de proteger embaixadas e interesses americanos no exterior durante crises, para respostas rápidas, que podem incluir evacuação de embaixadas ou retirada de pessoas de interesse, incluindo prisioneiros.

O avião já foi acionado em crises no Oriente Médio, em Olimpíadas e em situações críticas como a explosão no porto de Beirute, no Líbano, em 2020. A aeronave é equipada com sistemas avançados de comunicação, sensores e capacidade de reabastecimento em voo, no mesmo padrão do C-32A presidencial.

A aeronave permanecia no Aeroporto de Guarulhos até o início da tarde desta quarta-feira (20).

Folha de São Paulo

Neuropsicopedagoga Janaina Fernandes