A saúde mental vai além das emoções individuais, ela está diretamente ligada a fatores sociais, físicos e ambientais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma mente saudável é aquela que permite o desenvolvimento das habilidades pessoais, a capacidade de lidar com os desafios do dia a dia e a contribuição ativa para a comunidade. Já o Ministério da Saúde destaca que o bem-estar mental não depende apenas do estado psicológico ou emocional, mas também de aspectos como apoio social, qualidade de vida e, especialmente, saúde física.

A prática de exercícios físicos vem se destacando como ferramenta importante para manter o equilíbrio emocional. Esse é o caso da potiguar e especialista em relações com investidores Cecília Medeiros, que encontrou na academia uma forma de lidar com os efeitos do home office prolongado.

“O exercício físico me ajudou com questões da minha saúde mental. Há quatro anos trabalho de casa e passei por duas fases bem difíceis. Primeiro, eu não aguentava ficar em casa, saía todas as noites, o que prejudicava meu sono e minha rotina. Depois, entrei na fase oposta: não conseguia mais sair de casa. Me isolei, parei de falar com as pessoas e entrei numa espécie de redoma. Foi quando decidi começar a treinar e isso me ajudou bastante. Fiquei menos ansiosa, consegui regular o sono e me senti mais disposta” conta.

Além da musculação, outras atividades físicas também ganharam destaque nos últimos anos. A corrida de rua, por exemplo, cresceu 29% em 2024, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Organizadores de Corrida de Rua e Esportes Outdoor (Abracel). Já o crossfit se tornou a escolha do atleta Kelvin Tavares, ele explica que escolheu o esporte por ser mais coletivo e promover o contato com outras pessoas.

“É uma conexão que ajuda até a manter a disciplina. Ter pessoas por perto, te apoiando, traz uma energia positiva. Mesmo nos dias mais difíceis, mentalmente, o crossfit funciona como uma válvula de escape”, afirma.

Essa sensação de bem-estar não é apenas psicológica: há explicações biológicas para a melhora do humor e da disposição após a atividade física. A educadora física Raqueline Nogueira explica que durante os treinos o corpo libera substâncias conhecidas como “hormônios da felicidade”.

“Um dos principais é a endorfina, que promove sensação de prazer e ajuda a reduzir o estresse. É muito comum observar mudanças de humor durante e após o exercício, e isso contribui para que mais pessoas busquem a atividade física como uma forma de lidar com a rotina pesada. Além disso, o exercício também ajuda na prevenção e tratamento de doenças crônicas, no controle de peso e no fortalecimento muscular e ósseo” destaca Raqueline.

Já para a psicóloga Júlia Oliveira, a prática regular de exercícios físicos impacta diretamente na saúde mental e pode até auxiliar em tratamentos de quadros mais graves, como ansiedade e depressão.

“O exercício físico promove alterações bioquímicas no cérebro, aumentando a produção de neurotransmissores como serotonina, dopamina e endorfina, todos relacionados ao prazer, à regulação do humor e ao bem-estar. Também contribui para a redução do cortisol, hormônio do estresse. Além dos efeitos fisiológicos, há ganhos psicossociais, como o aumento da autoestima, da percepção corporal e da interação social”, explica.

Júlia também reforça a importância de criar uma rotina de atividade física de forma gradual, respeitando os limites de cada pessoa.

“Nosso cérebro tem grande capacidade de adaptação. Mesmo que seja difícil no início, à medida que a prática se torna constante, ela passa a fazer parte da rotina. O primeiro passo é começar, mesmo que com pequenas metas. Com o tempo, o corpo e a mente se ajustam e os benefícios aparecem”, conclui.

Tribuna do Norte

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