Roman Starovoit, ex-ministro dos Transportes da Rússia, demitido pelo presidente Vladimir Putin, passou a integrar a longa lista de autoridades russas que, segundo o governo, teriam tirado a própria vida. O caso aconteceu na segunda-feira (7) e repercutiu em todo o mundo.

Nos últimos anos, a imprensa russa noticiou uma série de suicídios envolvendo autoridades ligadas a Putin, além de opositores do presidente e até magnatas. O governo da Rússia também foi acusado de ter encomendado mortes de críticos e adversários políticos.

Casos recentes incluem a morte de Yevgeny Prigozhin, mercenário que liderou o grupo Wagner e teve grande importância no início da guerra contra a Ucrânia, mas que rompeu com Putin pouco antes de morrer em um acidente aéreo.

Outro caso emblemático foi a morte do opositor Alexei Navalny, que estava preso. O governo russo afirma que ele morreu de causas naturais. No entanto, Navalny já havia sobrevivido a um envenenamento no passado, e a família dele diz que o opositor foi assassinado.

O governo russo nega envolvimento nas mortes de opositores e costuma usar a imprensa estatal para noticiar supostos suicídios de autoridades ou personalidades, afirmando que os casos estão sendo investigados.

1. Roman Starovoit, ministro demitido

Roman Starovoit em foto há exatamente um mês, no dia 7 de maio de 2025 | Foto: REUTERS/Maxim Shemetov/Foto de arquivo
Roman Starovoit em foto há exatamente um mês, no dia 7 de maio de 2025 | Foto: REUTERS/Maxim Shemetov/Foto de arquivo

Roman Starovoit foi encontrado morto na região de Moscou horas depois de ser demitido do cargo de ministro dos Transportes. O corpo dele foi achado em meio a arbustos na segunda-feira, segundo a imprensa local.

O jornal russo “Izvestiya”, citando uma fonte anônima, afirmou que Starovoit atirou em si mesmo. Outros meios de comunicação russos disseram que uma pistola pertencente a ele foi encontrada ao lado do corpo.

Em coletiva na terça-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o governo russo está “chocado” com a morte de Starovoit.

Starovoit foi nomeado ministro dos Transportes em maio de 2024, após passar quase cinco anos como governador da região de Kursk, na fronteira com a Ucrânia.

De acordo com uma fonte da agência de notícias Reuters, a posição de Starovoit estava em questão há meses, não por questões específicas de transporte, mas por escândalos de corrupção em Kursk.

Poucos meses após Starovoit deixar o cargo de governador de Kursk, tropas ucranianas cruzaram a fronteira.

2. Alexei Navalny, opositor de Putin

Foto de arquivo mostra Alexei Navalny durante protestos em 29 de fevereiro de 2020 | Foto: Pavel Golovkin/AP
Foto de arquivo mostra Alexei Navalny durante protestos em 29 de fevereiro de 2020 | Foto: Pavel Golovkin/AP

Alexei Navalny morreu em fevereiro de 2024 em uma colônia penal no Ártico. Ele tinha 47 anos e era um dos principais opositores de Vladimir Putin. Em um laudo, o governo russo afirmou que o político morreu de causas naturais.

À época, o Serviço Penitenciário da Rússia disse em comunicado que Navalny se sentiu mal durante uma caminhada e perdeu a consciência. Segundo a agência russa Tass, ele foi levado ao hospital, e socorristas tentaram reanimá-lo por 30 minutos.

Navalny ficou famoso por fazer acusações de corrupção contra o governo Putin. Em 2010, liderou um movimento que levou milhares de pessoas às ruas. Ele chegou a ser pré-candidato à Presidência, mas foi impedido de concorrer às eleições.

O empresário trabalhava na petrolífera desde 1993. Ele supervisionou as áreas de refino, produção e exploração de petróleo. Em 2019, recebeu de Putin uma honraria. No ano seguinte, tornou-se presidente da Lukoil.

7. Onda de mortes de magnatas

Desde o início da invasão à Ucrânia, uma série de magnatas e executivos russos morreram em circunstâncias suspeitas. Em vários casos, a imprensa local apontou suicídios, quedas de janelas ou mortes violentas envolvendo familiares.

Muitos desses empresários ou dirigentes tinham ligações com setores estratégicos, como petróleo, gás ou bancos, e alguns chegaram a criticar abertamente a guerra. Veja alguns desses casos:

  • Leonid Schulman, diretor da Gazprom: Foi encontrado morto no banheiro de sua residência em São Petersburgo. No local havia uma carta que indicava a versão de suicídio.
  • Alexander Tyulyakov, vice-diretor da Gazprom: Foi encontrado enforcado em um chalé também na região de São Petersburgo.
  • Andrei Krukovsky, diretor do resort da Gazprom: Tinha 37 anos e morreu após cair de um penhasco nos arredores de Sochi, no sul da Rússia.
  • Mikhail Watford, magnata do petróleo: Foi encontrado enforcado na garagem de sua mansão no subúrbio de Londres.
  • Sergei Protosenya, ex-executivo da Novatek: Foi encontrado morto ao lado da mulher e da filha em um povoado da Espanha em abril.
  • Vasily Melnikov, ex-funcionário da empresa de equipamentos médicos MedStom: Foi encontrado morto em seu apartamento, no distrito de Volga, junto com a esposa e dois filhos de 4 e 10 anos.
  • Vladislav Avaev, ex-vice-presidente do Gazprombank: O magnata e sua família foram encontrados mortos em Moscou.
  • Kristina Baikova, vice-presidente do banco Loko-Bank: Morreu após cair do 11º andar de um prédio.

g1

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