O Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) concluiu nesta quarta-feira (3) a instalação da maior rede de monitoramento do potencial eólico offshore do Brasil. Os estudos são realizados por meio de convênio com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e abrangem 38,6% do litoral do país – área conhecida como Margem Equatorial Brasileira. Seis pontos de medição distribuídos do Rio Grande do Norte ao Amapá fornecerão subsídios para o estudo.

A instalação do último equipamento – um sensor óptico conhecido como LIDAR (Light Detection and Ranging) – foi iniciada terça-feira (2) e concluída nesta quarta (3), no município de Paracuru, no Ceará. Equipes nas áreas de engenharia, geografia, geologia, oceanografia, meteorologia, além de eletricistas, tecnólogos e técnicos em eletrotécnica e mecânica participam do processo. Agora, a expectativa do Instituto é apresentar os resultados que serão obtidos na 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro de 2025, no Pará.

O mapeamento é o maior com foco em energia eólica offshore, no Brasil. Segundo o coordenador de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) do ISI-ER, Antonio Medeiros, o objetivo é acumular os dados medidos para comparar com simulações que também estão em desenvolvimento, validar ao final e então apresentar o potencial energético da área. “Nós vamos precisar de pelo menos um ano, ou seja, de um ciclo climático completo, para validar a nossa modelagem, mas a ideia é que os equipamentos que instalamos sejam utilizados também depois desse período, como estações de medição permanentes”, explica.

As medições do projeto tiveram início em 2022, no Rio Grande do Norte – estado que lidera a produção brasileira de energia eólica em terra e uma das zonas de investimentos potenciais também no offshore, com 14 projetos à espera de licenciamento no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Segundo o pesquisador, a região que abrange o estado tem um potencial muito forte para eólica offshore e para hidrogênio de baixo carbono. Mas outras áreas também incluídas no levantamento registram escassez de informações e passam por estudos inéditos, por meio da iniciativa.

Do estado do Maranhão até o Amapá não existem dados observacionais e poucas pesquisas foram feitas para mapear variáveis meteoceanográficas e anemométricas. “Há uma escassez de dados muito grande, então quando se fala em estudar essas áreas de olho no aproveitamento energético, quando se faz o mapeamento ambiental e o mapeamento das características meteorológicas, você tem clareza e definição do cenário, com dado medido, com dado concreto”, frisa Medeiros.

O mapeamento deverá apontar quais são os melhores locais para instalação de complexos eólicos offshore no Brasil, mas não só isso. “Do ponto de vista de investimentos, a expectativa é abrir caminho para que as indústrias enxerguem quais os melhores locais para fazer o aproveitamento energético do país e, do ponto de vista social, é poder garantir dignidade energética para as populações que estão no entorno desses investimentos.

Projetos
Hoje, há no Brasil 96 complexos eólicos offshore com processos de licenciamento abertos no Ibama. Os projetos têm potência somada de 234,22 Gigawatts (GW) e estão divididos entre os estados do Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

“Os investimentos previstos na indústria do offshore brasileiro são bilionários. E está na hora de termos dados com maior confiabilidade, para que a tomada de decisão desse investimento ocorra nas melhores áreas”, diz o diretor do SENAI do Rio Grande do Norte e do ISI-ER, Rodrigo Mello.

Tribuna do Norte

Neuropsicopedagoga Janaina Fernandes