Referência na prestação de serviços médicos, anestesia, reanimação, monitoramento clínico, terapia intensiva e tratamento de dor, a Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas do Estado (Coopanest-RN) completa 30 anos numa curva de expansão. Com 307 cooperados ativos, vem contribuindo para a saúde do Rio Grande do Norte. “O cooperativismo em saúde tem um crescimento cada vez maior e a gente hoje tem uma perspectiva de crescimento anual significativo e ampliação do mercado como um todo. A nossa busca é gerar transparência, de forma ética, de forma legal, também trazendo inovações para os sistemas”, afirma o presidente da entidade, o médico Vinícius Luz. Ele conversou com a TRIBUNA DO NORTE e falou sobre o compromisso da instituição com pacientes e cooperados, destacou a longevidade da cooperativa como exemplo de sucesso e projetou planos de expansão para o futuro. Confira.

Como se manter como referência regional no modelo de cooperativismo?
Realmente nós temos um papel muito importante tanto estadualmente como até nacional, do ponto de vista de inovações. Foram 30 anos de desafios, de melhoria contínua, seleção dos melhores profissionais e é isso que faz o nosso sucesso permanecer até hoje. Do ponto de vista nacional, nós temos uma vertente muito intensa na parte de inovação de tecnologia e sistemas de controle de dados. A saúde hoje cada vez mais necessita essa relação de sistemas e o número de pacientes é muito grande, é impossível a gente fazer as operações que nós fazemos de forma manual, mas o principal de todo o processo do cooperativismo são os cooperados, são quem faz parte desse processo e é de quem cuida dos pacientes.

Os nossos anestesistas hoje passam por um critério muito rigoroso de seleção, selecionamos os melhores analistas do mercado, trazendo essa qualidade para a população e convertendo isso em insegurança que é que todo mundo precisa. Acho que todo mundo tem muito medo da anestesia e isso é um resquício do passado, um estigma que ficou, mas hoje os nossos anestesistas têm monitoração avançada de cada paciente desse, tem um cuidado tanto do ponto de vista técnico quanto humano dos pacientes. Eles conseguem cuidar dos pacientes tanto no pré e no intra quanto no pós-operatório. A gente consegue falar com os pacientes com muita antecedência, evitando riscos, suspensão de medicações, indicando se precisa de UTI ou não, terapias que necessitem para cirurgia no geral.

Segundo a OCB, o crescimento do cooperativismo no Brasil foi até 4 vezes superior ao PIB em 2023. A previsão é que até 2027 serão 30 milhões de cooperados no país. Como tem sido o desempenho e a evolução do cooperativismo médico no RN?
Os dados demonstram o crescimento cada vez maior do cooperativismo, nós temos hoje a Coopmed, como cooperativa, outras cooperativas se formando no interior, a gente vê esse crescimento cada vez maior do cooperativismo em saúde e até fora da saúde, tem cooperativa na hora de distribuir energia, para criar energia, de estrutura de transporte, motoqueiros. Tem um número muito grande de cooperativas de educação, professores. Em saúde, especificamente, nós temos esse crescimento tamanho por ser uma solução natural.

É natural você ter uma grande mão de obra de enfermeiros, fisioterapeutas, médicos, cirurgiões, anestesistas, ortopedistas, clínicos e todo tipo de médico que tiver, fazendo com que haja um fornecimento dessa mão de obra ou desses recursos de saúde de forma ampla para o tamanho das operadoras de saúde que nós temos hoje. Hoje, nós temos grandes operadoras no mercado e você criar pequenos grupos para atender a demanda, criam-se vários contratos, dificultam-se as negociações, não atende a demanda, causa desistência em alguns casos e quando você tem grandes prestadores para grandes empresas, você acha as duas soluções em cada uma das pontas. As cooperativas entram perfeitamente nesse resultado, gerando benefícios mútuos e gerando bons atendimentos, boas cirurgias e o que a gente vê é saúde, qualidade e segurança a todo momento na cidade de Natal e no Estado do Rio Grande do Norte.

A Coopanest-RN é um exemplo de consolidação de uma estratégia para fortalecer a classe e garantir o respeito aos profissionais?
A Coopanest como um todo atua junto com braço social que, é a Sociedade Norte-rio-grandense de Anestesia, na parte da educação, atuando com cursos como o Salve Uma Vida, que é um curso que a gente traz para a comunidade, dá o retorno da cooperativa, com ressuscitação cardiopulmonar, ensino de prevenção a engasgos e todo suporte para alunos leigos, que não são da área de saúde, estarem fazendo de forma gratuita esses cursos. Atua também de forma a selecionar os melhores profissionais, trazendo os melhores profissionais do mercado para o Rio Grande do Norte, na busca de uma anestesista mais qualificada, de melhores resultados, melhor entrega e ao mesmo tempo a gente trabalha nacionalmente com outras cooperativas, incentivando o cooperativismo e incentivando também educação médica.

No dia 05 de abril, a Coopanest-RN completa 30 anos. Foi a primeira cooperativa de especialidade médica implantada em Natal. O senhor diria que a entidade acabou sendo exemplo para outras especialidades que seguem o mesmo rumo do cooperativismo?
A Coopanest faz parte dentro do sistema da OCB, a Organização Brasileira de Cooperativas, e aqui no Rio Grande do Norte, a gente faz parte da Organização das Cooperativas do Estado do RN, que é a Regional e nela está contida todas as outras cooperativas e a gente trabalha ativamente lá dentro, inclusive o último representante da Saúde era da Coopanest-RN e isso tem trazido um fortalecimento do cooperativismo, nós ganhamos o prêmio Somos Coop de responsabilidade social no ano passado, sempre na busca de servir de exemplo e dividir conhecimentos e experiência com outras cooperativas, sejam elas maiores ou menores para trazer o que é o DNA do cooperativismo para esses outros entes. Além de mostrar os nossos resultados e a grande vantagem de estar trabalhando dentro do sistema cooperativista.

Como o senhor avalia a carteira de clientes? Pode nos dar dimensão?
A nossa carteira de clientes têm crescido a cada ano. Hoje, a gente está em negociação direta com mais um novo grande convênio, o SUS é um grande parceiro nosso, a gente atua de forma a cada vez mais ampliar esses contratos. Temos prestado serviço tanto em Natal como fora de Natal. São 307 cooperados diretamente ativos com a cooperativa, se a gente colocar os inativos chega quase a 350 é isso só na região. Se a gente colocar outras regiões, que a gente faz parcerias, temos contato com outras equipes anestésicas, então isso amplia ainda mais. Hoje, temos perspectivas de um crescimento anual significativo e de ampliação do mercado como um todo. A nossa busca é gerar transparência, de forma ética, de forma legal, também trazendo inovações para os sistemas.

O sr. acredita que a cooperativa alcançou alto nível de maturidade nos seus processos e práticas relacionadas à governança e à gestão?
Em termos de governança, a nossa cooperativa é formada por uma diretoria e todas as cooperativas têm uma instância maior, que seria a assembleia geral, que é formada pelos seus cooperados. Nós temos composto no nosso quadro um conselho fiscal, que também está acima do conselho administrativo, esse é o DNA natural de qualquer cooperativa. Elas têm que ser assim. Abaixo é claro que a gente tem uma complexidade muito maior, nós temos comissões abaixo para conseguir dar gerenciamento e ordem dentro do trabalho normal. Além disso, a gente tem um grande investimento em tecnologia da informação para que tenha o controle dos dados, para que haja um controle dessa governança de forma mais ampla.

Existe agora uma série de setores de departamentos com funções bem definidas para que isso tenha um crescimento estruturado. Alinhado com isso em 2022, desde lá até agora, a gente tem desenvolvido um trabalho muito grande de planejamento estratégico para que esse mecanismo todo trabalhe de forma alinhada e que a gente consiga esse crescimento, dentro de uma governança corporativa adequada, dentro de um comprometimento do quadro num processo de compliance que a gente tem aplicado.

Cerca de 90% dos anestesistas cooperados têm especialização em diversas áreas. A Cooperativa incentiva essa capacitação de que forma?
Noventa por cento dos nossos anestesistas trabalham com equipe fixa, eles se especializaram com essa equipe fixa. Imagina aquele exemplo que eu falei do bloqueio com ultrassom específico para ver um nervo bem pequenininho, se eu pego um anestesista que faz isso uma vez na semana, ele não consegue nem de perto ter uma eficiência de um anestesista que faz isso todos os dias. A chance de ter um erro, uma complicação, aumenta. Imagina uma cirurgia cardíaca, que é complexa, uma neurocirurgia, um paciente que é obeso que a complexidade é muito grande. Então, a gente ganha muito quando a gente tem uma especialização.

Como a anestesia evoluiu ao longo dos anos? Como é essa área da ciência hoje?
A anestesia no decorrer dos anos evoluiu no ponto de vista do médico em si, a formação era muito menor, hoje um anestesista para ser formado são seis anos de medicina, mais três anos de anestesia, num total de nove anos de formação, no mínimo, e você ainda pode fazer outros cursos a mais, pode se especializar, por exemplo. No decorrer desse tempo também, os anestesistas foram se especializando com equipes. É muito diferente você ter um trabalho que você executa todo dia, acompanha os cirurgiões e a sua equipe, cuidando dos pacientes antes de forma pré-operatória, vendo se o paciente, por exemplo, tem anemia, então eu já reservo o concentrado de hemácias, reservo sangue para ele, e só tem como fazer isso se você trabalhar em equipe.

O plantão não permite, só vai permitir que você veja isso na hora e na hora já é tarde muitas vezes. Ao mesmo tempo a anestesia evoluiu do ponto de vista monitorização, os monitores e os equipamentos disponíveis evoluíram muito. Hoje, por exemplo, para fazer uma cirurgia ortopédica, a gente faz um bloqueio do seu braço com ultrassom. A gente vê o tecido, onde está o nervo, vai ali pertinho no nervo com uma agulha específica, injeta o anestésico local e vai dar um conforto para esse paciente não sentir dor por 18, 24 horas, uma questão muito mais moderna. A gente agora até bomba de difusão contínua, que permite a gente colocar um cateter perto do nervo e o próprio paciente apertar um botão na bomba para liberar a medicação na hora que ele quiser, para acabar com a dor.

Toda essa tecnologia avançada, as medicações mudaram, as medicações, que antes duravam muito tempo para fazer efeito, hoje se resolve em segundos. O anestesista fica durante todo o tempo, desde o início até o final da cirurgia com o paciente, então essas medicações modernas permitem tanto colocar o paciente para dormir rapidamente quanto despertar rapidamente. O paciente não fica mais duas, três horas dormindo direto, el acorda em 10 ou 15 minutos. Isso tudo é uma melhoria de qualidade, fazendo com que o paciente consiga ir para o quarto mais rápido, ficar com sua família mais rápido, comer mais cedo e ter alta mais cedo. É diminuição de custo para todo mundo, uma felicidade maior para o paciente e uma segurança maior para toda equipe cirúrgica.

Como o senhor avalia a parceria com os cirurgiões? Ela garante um trabalho eficiente e vital para garantir a segurança do paciente?
Os cirurgiões são grandes parceiros e acabam virando grandes amigos nossos no decorrer do trabalho. O trabalho é tão grande que a gente já entende o que ele está pensando, se ele está preocupado ou não e vice-versa. Esse alinhamento cirúrgico faz com que a gente consiga ter resultados mais precoces e tem mais eficiência, bem como o ambiente de trabalho fica mais tranquilo. A gente tem muita sobrecarga em alguns cantos quando o cirurgião não escolhe o seu anestesista, começa a criar conflitos, onde o paciente que não tem nada a ver acaba sofrendo porque existe um desarranjo dessa equipe, existe uma diminuição dessa harmonia do ambiente de trabalho.

Tribuna do Norte

Neuropsicopedagoga Janaina Fernandes