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Em manifestação pós-demissão, Serrano diz que enfrentou na Caixa desafio de ser mulher no poder

No primeiro pronunciamento público desde que foi demitida da presidência da Caixa, Rita Serrano disse que enfrentou o desafio de ser mulher em espaços de poder nos dez meses em que ocupou o cargo. Afirmou ainda que mostrou ser possível que um funcionário de carreira comande a Caixa. Ela trabalha no banco desde 1989, e afirmou ainda que voltará a ser bancária.

“Ser mulher em espaços de poder é algo sempre desafiador. Não foi fácil ver meu nome exposto durante meses a fio na imprensa”, escreveu ela. “Espero deixar como legado a mensagem de que é preciso enfrentar a misoginia, de que é possível uma empregada de carreira ser presidente de um grande banco e entregar resultados, de que é possível ter um banco público eficiente e íntegro, de que é necessário e urgente pensar em outra forma de fazer política e ter relações humanizadas no trabalho.”

Serrano foi demitida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na quarta-feira. O estopim para sua demissão foi o patrocínio da Caixa a uma exposição em que uma foto do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), aparecia em uma lata de lixo. Apesar disso, ela vinha sofrendo desgaste junto ao governo e ao mundo político desde o primeiro semestre, e seu cargo já vinha sendo negociado entre Lula e Lira desde julho.

Na Caixa, Serrano será substituída por Carlos Antonio Vieira Fernandes, funcionário aposentado do banco, e que foi indicado por Lira. Internamente, como mostrou ontem o Broadcast, a expectativa é de que ele mostre maior habilidade política, embora a demissão de Serrano tenha sido recebida com tristeza.

No texto de hoje, a ex-presidente da Caixa afirmou que sua gestão ajudou a resgatar a autoestima dos funcionários em trabalharem no banco. “Demos um salto de qualidade em diversos âmbitos da presença da CAIXA na vida de todos e esse resultado positivo, que nos colocou em um dos melhores momentos da história do banco, é fruto de um esforço de trabalho coletivo”, disse ela, citando os 87 mil empregados do banco.

Nos dez meses em que comandou a instituição, Rita Serrano recriou a vice-presidência de pessoas, contratou funcionários e abriu agências. Ela iniciou ainda a troca dos equipamentos de tecnologia das agências, em um investimento de R$ 4,8 bilhões.

Serrano agradeceu ainda a Lula pela “confiança depositada” nela. “Presidente, para mim, foi uma honra ter participado do seu governo. Nos próximos dias, faremos a transição com o futuro presidente do banco, ao qual desde já registro meus desejos de boa sorte”, conclui.

Estadão Conteúdo

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